O valor da amizade

O valor da amizade

Final de ano chegando e o desejo dos encontros e reencontros, bate forte, dentro de cada um de nósNeste mês de novembro eu me permiti experiências encontros que aqueceram o meu coração. Reencontrei amigas de colégio, e entre abraços e muitas risadas pudemos nos perceber adolescentes de novo. O calor da amizade, renova. Preenche. Aqui faço o registro de uma noite memorável, que a mim ,deixou plena, dando-me a certeza de que a vida nos reserva ótimas surpresas ao longo dos anos.
Outro encontro esta semana, me deu provas de que a construção de uma amizade em bases fortes, seja de longas dadas, ou recente, é mesmo de grande valor.percebo em todas, o prazer de constatar a minha melhora, o que pra mim é um grande incentivo. Esse sentimento de solidariedade, de carinho, é o que percebo em todas aas minhas companheiras de jornada, independente de data
Pois bem, ao longo desses três anos de recuperação, tive oportunidade de passar por vários estágios físicos e emocionais . Aprendi a nao desistir da luta, e agora estou em um momento em que sinto que sai da platéia e fui para o palco. A vida me chama, preciso viver intensamente. Um brinde a vida, um brinde a amizade, um brinde a família ( grandes amigos).

Abrindo a cortina

Abrindo as cortinas

Neste fim de semana pude experimentar um misto de sensações agradáveis.
Decidi ir ao encontro do do desejo da Vania festeira. me permiti sair para festejar, dançar, viver. Sem duvida, uma festa, espanta os silêncios, traz à tona o burburinho peculiar à vida plena. Fui na companhia de pessoas amadas, auma festa promovida por um amigo de longas datas. “Liberdade “era o tema da festa e foi para mim, libertador.
Como nos tempos em que a vida ainda me permitia ser inteira : cantei, dancei, bebi, abracei gente querida e me diverti muito.
Contudo, ainda me sinto metade, estou ciente de que o exercício da paciência, da resiliência, se fazem importantes, para voltar a me sentir plena.
Nesta festa, num ir e vir de tanta gente a tanta gente,inclisive pessoas, como ex colegas de trabalho que nao via ha muito tempo, pude experimentar aa deliciosa sensação do reencontro e de saber que apesar da distancias, todos permacem proximos, desejando a minha plena recuperacao.A energia pulsante que emergia de cada um que me abraçava, feliz por me ver de volta ao ViDEO e a VIDA.
Muita alegria.
Obrigada à todos. Ja estou munida das armas para ir a luta e agora mais motivada ainda.
Obrigada queridos. So compreende o valor deste suporte quem ja recebeu um golpe da vida ,e experimentou o fio da navalha.
Agora aqui estou inteira. A energia pulsante, me permitiu sonhar, passei que estava cantando no palco e dançando.

Voltar à TV, mais um obstáculo vencido

No inicio ,tudo parecia trevas,,lembro-me bem, de quando, pós AVC e temporada no hospital, cheguei em casa, na cadeira de rodas, com o lado esquerdo paralisado, muita fragilidade muscular e uma perpexlicidade incomensurável. Não acreditava-ou não queria acreditar- em tudo que havia acontecido comigo , e fui tomada por um grande receio, de que o pesadelo fosse para sempre. Me senti impotente diante de tudo e de todos.
Pois bem, o tempo passou lento e eu fui me apoderando das minhas armas: ffé, forca, perseverança e determinação .
com a forca dos meus filhos e amigos, percorri o meu caminho,e hoje,me reporto ao inicio de tudo, para falar melhor do meu caminhar. Me julgo agora, praticamente na linha de chegada: uma das grandes conquistas foi voltar à televisão, fazendo o que sempre gostei de fazer, praticando o meu oficio.me sinto curada, uma pessoa como todas as outras, apenas, com alguma dificuldade,motora, que se Deus quiser, vencerei em breve.
Agora, trabalhando com o que gosto, me sinto capacitada e inserida no contexto social. Estou de bem com a vida. A minha volta à televisão, foi permeada de emoção, alegrias. Matéria em jornal, comentários em blogs. Se sentir amada, reconhecida pelo trabalho, realizado ao longo dos anos, alimenta o meu espirito e me enche de forca para seguir em frente.me sinto capaz, é possivel ir além.
Tracei uns objetivos e com paciência estou conseguindo : preciso fazer as minhas atividades rotineiras de reabilitação, embora as vezes tenha um pouco de preguiça, mas ao pensar nos benefícios, mando a preguiça embora. A fisioterapia, o pilates, estão me deixando mais confiante e mais capacitada.
Alguns medos estou deixando para trás, agora , entre as novas metas, esta voltar a dirigir.a vida esta tão agitada que preciso conciliar a agenda, entre trabalho, encontro para um café com amigas, fisioterapia, pilates, treinos em casa, leituras diárias. Essa é a minha , vida, meio freada, porque antes era bem agitada, com as minhas deliciosas caminhadas na praia e no parque das dunas.
Alem do corre corre de profissional e dona de casa. Agora tudo começa a se ajustar, agregado a experiência de quem passou pelo que eu passei.
Paciência, paciência… Grande aprendizado

Ofereço esse post, as pessoas que logo apos o AVC, acham que ficarão prisioneira das trevas. O arco íris existe, é preciso acreditar e nao desistir.

Passos largos ( vôo livre)

Depois de fazer 3viagens à brasilia, para tratamento, percebi que posso fazer deslocamentos .e foi então que decidi sair do casulo, ousar e fazer a minha primeira viagem a lazer, pós AVC. O destino: sao paulo. Na companhia dos dois filhos, fieis escudeiros, resolvi partir para rever meu filho mais velho, nora, netos e amigos. Na bagagem, um desejo imenso de recomeçar uma vida mais livre, mais autônoma acompanhada da sensação de ter me dado ferias, da rotina quase espartana de exercícios ( fisioterapia,pilates, terapia ocupacional), para minha minha surpresa, me exercitei muito de uma forma nao convencional :andei longos trechos de bengala, entrava e subia em carro, passava o dia na rua, o que so me deu a certeza de que estou mais capacitada, e que posso alçar longos vôos, afinal,, reabilitar, é também experimentar novas sensações, rever amigos, desfrutar de prazeres como ver uma exposição, um bom filme, encontrar pessoas queridas, tomar um bom vinho, receber o carinho dos netos, se permitir um jantar a dois.
Enfim, esta viagem foi cercada de prazeres: rever lugares que tanto freqüenteiá trabalho ou lazer, experimentar o clima multicultural da Sampa cantada por Caetano,. Freqüentar lugares charmosos .
Tudo muito bom,, uma verdadeira catarse. Agora voando de volta pra casa, estou certa de que a bagagem vem recheada de ótimas experiências que me recarregam, me deixando cheia de energia, permeada com o desejo de ir além.

Entre risos e lembranças

Inicio este post, citando o inesquecível “poetinhaVinicius de Morais :
“A vida é a arte do encontro, embora haja tantos desencontros pela vida”.
Eu ,na verdade andei me desencontrando comigo em algumas ocasiões.o episódio do AVC, por exemplo, revelou-se como uma armadilha que me fez mudar de rota. Grande desencontro.
Agora aos 58 anos, posso falar com propriedade, dos caminhos, das veredas, das armadilhas.
No momento, desejo falar de caminhos que se cruzam e nos transportam por trilhas com perfume de jasmim e com sabor de frutas do quintal.
Nesta sexta feira, tive a oportunidade de reencontrar com amigas do colégio, com quem vivenciei anos de muita alegria, traquinagens, ate cruzarmos a fronteira da adolescência.
O encontro, foi marcado por uma energia contagiante ,que nos transportou para o tempo das brincadeiras. Parecíamos adolescentes.Rimos bastante e revivemos (sem melancolia), os tempos em que tudo parecia uma brincadeira de roda.
Nos abraçamos ate trocamos receitas de beleza, fotos de filhos e netos.As fotos pipocaram. O fato é que a vida pulsa dentro de nós e apesar de tanto tempo de afastamento, nos entrosamos, como se o ultimo encontro tivesse acontecido recentemente.
Querer e se saber querido, nutre a alma e nos da a prova de que o caminhar pode ser leve.
Estou me sentindo alimentada.

Presente

Aproveito a oportunidade da data para falar um pouco do sentimento de mae. Fui mae aos 21anos e me surpreendi com a minha obstinação, com o amor mais do que incondicional que dediquei àquele bebe. O mundo à minha volta nao existia, so tinha olhos para enxergar aquele pequenino , em meus braços, mamando ávidamente. A partir dali entendi o que era doação, desprendimento.Passar noites em claro, mesmo tendo que trabalhar. E mais dois filhos vieram e o amor se multiplicou e conforme foram crescendo, eu me agigantava na coragem, no esmero por tornar àquelas criaturinhas em pessoas muito especiais: escola construtivista, idas à livrarias, teatro, cinema, muito carinho e compreensão.
Hoje sao 3 adultos, cada qual do seu jeito, e o que posso afirmar é que deste plantio, com o melhor do meu adubo, colho hoje os frutos da mais rara qualidade. 3 filhos com quem posso contar e que apos o AVC, deram provas, de que podem ser meio pai, meio mae. Ja passaram noites acordadas comigo, me fazem companhia, me amparavam quando nao conseguia andar bem e atualmente e dirigem pra mim. grandes companheiros.
Agora ja estou bem melhor, mas a marca mais forte que ficou, foi a da dedicação dos meus filhos.
Este é o meu maior presente, hoje e sempre

Encontro

Encontros

Neste período em que tive que me afastar das atividades profissionais, tenho encontrado com pessoas, que além de desejarem a minha franca recuperacao, pedem a minha volta à televisão. Nao posso negar que sinto falta do meu trabalho de jornalista de televisão. Logo após o AVC, ficou muito claro, que teria seqüelas, e consequentemente, limitações.
Hoje passados quase 3anos , posso dizer, que venci seqüelas em relação a voz . A parte motora, ainda me limita. Preciso estar em frente àscâmeras sentada.Em pé, já complica. Computador, só usando a mão direita. O meu lado esquerdo ainda está em processo de recuperacao. Contudo, nao estou parada, e estou com a cabeça cheia de projetos. Mesmo em casa trabalho, tenho um dia cheio de atividades intelectuais e físicas. Para recuperar-me das seqüelas motoras, é preciso muito exercício e disciplina, as vezes da preguiça, mas o desejo de recuperar é tanto que vou treinando e acreditando nosresultados.
Claro que tenho os meus momentos de folga, os dias em que resolvo faltar uma sessão de fisioterapia e trocar por um café com amigas, o que é saudavel tambem.
pois bem, no inicio do post, estava falando sobre os encontros casuais. Quando saio, é bem comum acontecerem, as pessoas me reconhecem,geralmente me cumpri mentam,me acham bem, e perguntam, porque nao estou trabalhando.
Recentemente, estava em uma livraria num shopping, quando um rapaz muito simpático me abordou e disse-me que sentia a minha falta na televisão, o só entendeu o meu afastamento, quando me viu na TV, na campanha de combate ao AVC.
Me fez elogios, e pediu que eu voltasse. Euargumentei, que nao tenho mais agilidade para estar numa redação. Ele continuou insistindo e aí se deu a conversa. De repente, recebi um super estimulo de um, ate então desconhecido.
Nao posso negar, que essa conversa mexeu comigo, o depoimento dele foi muito verdadeiro e por acaso aconteceu um dia depois de eu ter recebido uma homenagem ( na assembléia) pelo meu trabalho como jornalista. Fiquei mexida e pensando sobre possibilidades de voltar ao estúdio.. Nao sou ingênua e sempre encarei a realidade de frente. Porém espaços se abrem, e ate numa conversa informal pode surgir uma idéia, um o convite. Há quem acredite. O projeto ja esta no papel.
Neste caso, sonhar, pode ser voltar a fazer o trabalho que amo, ou voltar a andar como antes.
É preciso aterrissar , a vida nos ensina a adiar os sonhos.
No momento estou dividida. Compreendo que navego num mar incerto, mas com mesmo falou o poeta : “navegar é preciso”.

Perto do coracao

Neste ultimo fim de semana pude experimentar uma sensação extremamente agradável que de uma certa maneira me conduziu a um passado nao tão distante, mas povoado de memórias tão ricas, delicadas como filigranas.
Na festa de casamento da filha de uma querida amiga, pude reencontrar grandes amigos, que o tempo apenas levou fisicamente para longe, mas que continuaram vivos dentro de mim.
Ainda guardo na memória a alegria do reencontro , que vi estampada no rosto de cada um. E como bem disse Milton nascimento : amigo é coisa pra se guardar, do lado esquerdo do peito, perto do coração.Pois é, durante muitos anos, ali, ficaram eles, como que adormecidos, esperando apenas o toque para despertar e movimentar-se -tal qual, a bailarina da caixinha de musica. Tudo , suave, guardado em ,um passado que nao é preciso decifrar. Posso afirmar que foi otimo e se novamente fosse ,seria. Passado com sabor de algodão doce e cores de papel crepom
sai deste encontro com a alma leve e a sensação de que cada momento tem a sua importancia. Aquele momento
me encheu de frescor , naquela noite levei para casa com o cuidado de quem carrega um cristal. aquele encontro aqueceu o meu coracao. lembrei da importância de cada momento com a constatação que a vida comigo sempre foi generosa no ontem, no hoje e espero, no amanha.
Cheguei em casa, fui dormir e sonhei com estrelas.
e

O grito e oo voo

Esta semana tive a oportunidade de assistir a um belo filme francês-“a familia Belier”. A trama me tocou de maneira considerável. Trata-se de uma familia de surdos mudos,em que apenas a filha mais velha nao tem esse problema e portanto funciona como interprete da família, carregando uma grande responsabilidade. Gostei do filme, pela leveza como o diretor conduziu a trama, sem vitimizacao por parte dos personagens pelo fato de não poder falar ou escutar o que de algumamaneira causa uma certa dependência, e é neste momento, que surge a minha identificacao com o filmesurge a minha identificação com os personagens do filme. também achei uma grande sacada do diretor, fazer com que as pessoas se sintam na pele de uma pessoa que tem difificuldades, seja de que ordem for. ele aproveita exatamente o momento da exibicao do coral da escola, em que a filha da familia Belier, faz um solo, para tirar o audio, daí,todos nós nos sentimos iguais. O.filme me tocou fundo pela identificação com a falta de autonomia em relação a uma deficiência (seja de que ordem for), além de também sentir reproduzido, o quanto podemos prender nossos filhos.
No caso do filme, a garota, foi descoberta como uma promissora cantora e praticamente abre mão de sua carreira, para ficar ajudando a família.
O filme nao so me emocionou, como me fez pensar nas possibilidades que temos, enquanto portadores de limitações, de te ntar iralém e deixar os filhos voarem. No filme, a canção “je vou” interpretada pela filha(reproduzida tambem na linguagem de sinais) é um dos momentos mais fortes do filme, uma catarse, por parte da filha e dos pais.
Belo momento, sem apelação, mas com muita emoção.fica claro, que da para todos serem felizes, sem roubar a liberdade do outro

Buscando a saída

Quando passamos um longo período convalescendo, a rotina é toda alterada. atividades como trabalhar e sair para resolver negócios ou para lazer, vão dando lugar a uma nova rotina, com direito a agenda lotada de idas a médicos, sessões de fisioterapia, fono, terapia ocupacional. Na verdade estou meio cansada dessa rotina e desejando substitui-lá por algumas coisas que fiquem mais próximas da minha realidade anterior.
Percebo que a minha melhora física e psicológica, me possibilita algumas escapadas. Percebo também que sinto uma outra energia, movida pelo desejo de ter uma vida normal, mas como já havia falado anteriormente, esse desejo de voltar a ter uma vida normal se transforma em ansiedade. E eu me pergunto:aonde esta toda paciência que me segurou até agora?estou em busca dela, e sei que cada coisa no seu tempo. Acredito que estou no estagio que transita entre duas situações: a da impossibilidade de andar e mexer o braço, e a silencisa entrada no meu estado normal, embora saiba que ainda falta muito.. Sao leves acenos que me deixam inquieta, me sinto no limite entre dois mundos.